
A seis quilômetros da sede de Vila Pavão, no Córrego São Sebastião, o produtor rural Vaguimar Batista de Oliveira, de 72 anos, transformou sua propriedade em um museu vivo das tradições rurais. Há mais de quatro décadas, ele reconstrói o cenário da vida campestre de antigamente, resgatando técnicas sustentáveis e histórias que conectam o presente às raízes de gerações passadas.
Nem mesmo os detalhes da entrada do sítio passaram despercebidos pelo meticuloso Vaguimar. Em um trabalho que ele mesmo classifica como “faraônico”, o produtor mobilizou amigos e máquinas para transportar rochas de algumas toneladas por cerca de 500 metros, até o local. O esforço coletivo resultou em uma ornamentação imponente, que hoje marca a chegada ao espaço com um ar de grandiosidade histórica. “Queria que cada visitante sentisse, desde o primeiro passo, que está entrando em um lugar especial”, explica.
O Legado que a água move
No coração do sítio, um lago artificial alimenta um manjolo — engenhoca movida a água que outrora transformava milho em fubá —, uma roda d’água que aciona uma bomba “carneiro” para irrigação, e um quarto em construção na árvore, às margens. Essas tecnologias ancestrais, essenciais para a subsistência no campo, agora servem de aula prática sobre inovação sustentável. “São saberes que os jovens de hoje nem imaginam como funcionavam”, reflete Vagmar, enquanto mostra o acervo de centenas de ferramentas antigas expostas na casa da sede da propriedade. Entre enxadas, pilões e utensílios domésticos, cada peça carrega uma história que ele narra com precisão.
Da idade média aos Vikings: criatividade no campo

O produtor ultrapassa fronteiras geográficas e temporais em seu projeto. Com madeira de Guaribú amarelo, recriou uma porta medieval de 200 kg e 2,5 metros de altura, além de uma cadeira inspirada no imaginário Viking, peças que exigiram uma oficina própria para serem moldadas. “Pesquisei em livros e filmes para trazer esse pedaço de história até aqui”, explica, orgulhoso.
Preservação que brota do solo
Além de resgatar memórias, Vaguimar devolve vida à terra. Há anos refloresta a área com espécies nativas da Mata Atlântica, algumas à beira da extinção. A gameleira plantada por ele há 40 anos, hoje com mais de 40 metros de altura, simboliza essa jornada. “Cada planta tem nome e propósito. É preciso respeitar a natureza para que ela nos sustente”, afirma, apontando mudas de jatobá e ipê.

Turismo Pedagógico: um sonho em andamento
O projeto ganhou elogios oficiais. Jorge Kuster Jacob, representando a Secretária Municipal de Cultura e Turismo, destacou o valor do espaço: “Estou impressionado com o conteúdo histórico e cultural do nosso município reunido por Vaguimar. É um espaço rico para nossos estudantes visitarem aspectos do passado de forma crítica. Muitas manifestações culturais que os alunos só veem em livros, aqui se materializam”.
Saúde no ritmo da roça
Aos 72 anos, Vaguimar atribui sua vitalidade à rotina no campo: “Trabalho duro, sem remédios. A vida simples cura”. Seu projeto é um convite a repensar o futuro aprendendo com o passado.
Agende uma vista e reviva uma experiência para ver, ouvir e sentir como a simplicidade e a sustentabilidade dos avós ainda têm muito a ensinar.










