O café conilon (robusta) deve alcançar uma produção nacional de 20,1 milhões de sacas, um salto expressivo de 37,2% frente à safra de 2024. O protagonista desse crescimento é o estado do Espírito Santo, maior produtor da variedade no país. Sozinho, o estado capixaba prevê colher 13,8 milhões de sacas de conilon, um aumento de 40,3% em relação ao ciclo passado. O ganho de produtividade é notável: a média estadual deve saltar de 37,4 para 53,5 sacas por hectare.
Clima, irrigação e inovação explicam o bom desempenho
De acordo com Fabricio Tristão, coordenador de cafeicultura do Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural), um conjunto de fatores foi crucial para o resultado excepcional do conilon.
“Tivemos chuvas regulares, temperaturas adequadas no período de desenvolvimento dos frutos e um incremento importante no manejo de adubação, irrigação e controle de pragas e doenças. Tudo isso contribuiu para elevar a produtividade e a produção no Espírito Santo”, explicou Tristão.
O coordenador ressalta que o investimento em tecnologia pelos produtores foi um diferencial. “Hoje, praticamente 90% da área de conilon no estado é irrigada, e grande parte utiliza a fertirrigação, que traz ganhos diretos de produtividade. Além disso, muitos agricultores já estão avançando na mecanização, tanto na colheita semimecanizada quanto na mecanização plena”, completou, enfatizando a modernização do setor.
Cenário oposto para o café arábica
Enquanto o conilon celebra, a safra do café arábica no Espírito Santo sente os efeitos da bienalidade negativa – característica natural da planta, que alterna anos de alta e baixa produtividade – agravada pelo clima adverso. A produção capixaba da variedade está estimada em 3,3 milhões de sacas, uma queda de 18,8% em relação a 2024.
“No arábica, já era esperado um ano de bienalidade negativa, mas o problema foi acentuado pela seca antes da florada e pelo veranico [período de estiagem] no período de granação, entre fevereiro e março. Esses fatores impactaram de forma negativa e a safra deve ser menor”, destacou Tristão.
Resultado final capixaba
Somando as produções de conilon e arábica, a safra total do Espírito Santo – maior produtor de café do país quando consideradas as duas variedades – deve atingir 17,1 milhões de sacas. Isso representa um crescimento robusto de 23,2% na comparação com a safra anterior, impulsionado quase que exclusivamente pelo desempenho espetacular do conilon.
Os números consolidam o estado não apenas como uma potência na produção de robusta, mas também como um exemplo de como o investimento em tecnologia e manejo adequado pode superar desafios e impulsionar a cafeicultura nacional.