
O que parecia ser um latrocínio em uma área rural de Jaguaré, no Norte do Espírito Santo, ganhou novos contornos nesta semana com a prisão do principal suspeito. O empresário André Araújo Barros, de 22 anos, foi preso na tarde de segunda-feira (30) após confessar à Polícia Civil que executou o fazendeiro Adelanio dos Santos Dantas, de 46 anos, no último dia 6.
A motivação para o crime, segundo as investigações, foi uma dívida. O jovem empresário, que atua no ramo de serralheria, havia pegado R$ 72 mil emprestados com a vítima no início do ano e, sem condições de pagar, teria planejado o assassinato.
A emboscada na plantação de café
O crime aconteceu na comunidade de Água Limpa, dentro da propriedade da vítima, em meio a uma plantação de café. O fazendeiro foi surpreendido e baleado três vezes. Mesmo ferido e já caído ao chão, Adelanio conseguiu fazer uma ligação desesperada para a esposa, relatando o ocorrido — informação que foi fundamental para o início das apurações.
Socorrido pelo Samu, o fazendeiro foi levado ao hospital de Jaguaré, mas não resistiu aos ferimentos. Seu corpo foi encaminhado ao Serviço Médico Legal (SML) de Linhares.
Investigação minuciosa e câmeras de segurança
Inicialmente tratado como latrocínio (roubo seguido de morte), o caso exigiu um trabalho investigativo detalhado. De acordo com o delegado Erick Esteves, titular da Delegacia de Jaguaré, o autor tomou cuidado para não ser identificado: tapou a placa da moto que usava e tentou desviar das câmeras de segurança.
No entanto, os investigadores conseguiram refazer todo o trajeto percorrido pela vítima no dia do crime. Imagens flagraram o momento em que o suspeito, de moto, começou a seguir o fazendeiro. Em outra cena, ele aparece escondido atrás de um ponto de ônibus, aguardando a passagem da vítima para executar o plano.
“Foi uma investigação um pouco complicada, mas conseguimos identificar o ponto exato em que o autor começa a seguir a vítima até o local onde infelizmente ocorreu o homicídio”, detalhou o delegado.

Confissão e versões conflitantes
André foi preso em sua casa e, durante o depoimento, confessou o assassinato. Ele ainda indicou onde estava a arma utilizada no crime — uma espingarda que foi encontrada em cima de um armário.
Em sua defesa, o empresário alegou que vinha sendo ameaçado pessoalmente pelo fazendeiro por conta da dívida. No entanto, a Polícia Civil não encontrou provas que sustentem a versão. “Não há nenhum tipo de ameaça no celular da vítima que possa corroborar o que foi alegado. Ele diz que houve ameaças presenciais e por mensagens, mas não há como confirmar”, afirmou Erick Esteves.
Justiça
Com o fim das investigações, o empresário foi encaminhado ao presídio e agora responde pelos crimes de homicídio qualificado e posse ilegal de arma de fogo. O caso, que começou como um misterioso latrocínio no interior do estado, foi desvendado pela apuração minuciosa da polícia e pela confissão do autor, que tentou, sem sucesso, escapar das câmeras e do trabalho investigativo.


