
A Secretaria Municipal de Educação de Vila Pavão promoveu, na última semana, o lançamento oficial do Guia POMITAFRO em Sala de Aula 2026, material que norteará as ações pedagógicas em todas as unidades da Rede Municipal de Ensino entre os dias 3 e 21 de agosto. O encontro, que reuniu diretores e pedagogos das escolas municipais, marcou o início das atividades do projeto, sob a coordenação do Prof. Dr. Erivelton Pessin. A iniciativa tem como propósito central fortalecer a valorização das culturas pomerana, italiana e afro-brasileira por meio de práticas pedagógicas contextualizadas e interdisciplinares.
O evento contou ainda com a participação do sociólogo Jorge K. Jacob, um dos fundadores da POMITAFRO, cuja presença ressaltou a relevância histórica e cultural da iniciativa para o município e para a preservação da identidade construída pelas três etnias que compõem a formação social de Vila Pavão.
O secretário municipal de Educação, Josimar Bichi, destacou a importância do projeto como investimento estratégico na formação dos estudantes: “Levar a POMITAFRO para dentro das escolas é fortalecer a identidade do nosso município e proporcionar aos estudantes uma aprendizagem conectada com sua história, sua cultura e suas raízes. A educação tem um papel central na preservação desse patrimônio cultural.”
Já o coordenador do projeto, Prof. Dr. Erivelton Pessin, explicou que o guia foi elaborado para apoiar os professores no desenvolvimento de práticas alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), integrando a valorização das culturas pomerana, italiana e afro-brasileira aos diferentes componentes curriculares. “Mais do que celebrar uma festa, queremos promover aprendizagens significativas, fortalecer o sentimento de pertencimento, preservar a memória coletiva e evidenciar que a cultura local é um importante instrumento para a formação integral dos nossos estudantes”, afirmou.
Para o sociólogo Jorge K. Jacob, “A POMITAFRO na Sala de Aula” é uma das ações mais relevantes de todo o movimento cultural, uma vez que o projeto nasceu exatamente dentro da escola, a partir de reflexões realizadas em sala de aula. Por essa razão, ele defende que essa atividade jamais deve ser abandonada, pois representa a essência e a origem de toda a proposta.
Segundo Jacob, a criação da POMITAFRO foi precedida por intensos debates entre professores e estudantes. Em 1989, os educadores do então CIER perceberam a expressiva presença de três grupos étnicos entre os alunos, fato que se manifestava nas características físicas, nas histórias familiares, na língua falada e até mesmo nos alimentos trazidos de casa para a merenda escolar. Essa diversidade revelava uma riqueza cultural que já integrava o cotidiano das crianças.
Diante dessa constatação, surgiu uma reflexão fundamental: eram justamente essas manifestações culturais, esses saberes e fazeres transmitidos de geração em geração, que precisavam ganhar visibilidade. Era essa cultura que deveria “subir ao palco”, ser valorizada, reconhecida e aplaudida pela comunidade. Assim nasceu a proposta de destacar as tradições dos povos pomerano, italiano e afro-brasileiro, incentivando, a cada edição, o resgate, o aperfeiçoamento e a preservação desse patrimônio imaterial.
Para o sociólogo, discutir a cultura local nas escolas e enriquecê-la com a história e a identidade de cada um desses grupos étnicos é uma forma de fortalecer o sentimento de pertencimento e fazer da cultura um instrumento de transformação social. Somente dessa maneira seria possível contribuir para o desenvolvimento local sustentável, resgatar a autoestima da população de Vila Pavão e criar oportunidades de geração de renda para o município.
Como exemplo dos resultados alcançados ao longo dos anos, Jacob lança questionamentos que evidenciam o impacto econômico e cultural do movimento: quantos brotes são vendidos atualmente em Vila Pavão graças ao fortalecimento da gastronomia típica? Em quantos municípios e estados os grupos folclóricos já representaram a cultura pavoense? Quantas apresentações da Banda Up Pommerisch ajudaram a divulgar a língua pomerana? Quantos trajes típicos foram confeccionados e comercializados? Para ele, todas essas conquistas demonstram que investir na cultura também significa promover desenvolvimento econômico, turismo e valorização da identidade local.
Ao longo do mês de agosto, cada escola desenvolverá atividades adaptadas à sua realidade, envolvendo estudantes, profissionais da educação, famílias e a comunidade local. A programação culminará em mostras culturais que evidenciarão as aprendizagens construídas e reafirmarão o compromisso da Rede Municipal de Ensino com a valorização da diversidade cultural de Vila Pavão.


