O primeiro turno das eleições de 2026 produziu uma mudança significativa na correlação de forças da política brasileira. O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou a disputa presidencial à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto o Partido Liberal ampliou sua presença no Senado e conquistou cinco governos estaduais já na primeira etapa da eleição.
Com praticamente todas as urnas apuradas, Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 53,9 milhões, ou 45,16%. A diferença ficou em aproximadamente 2,2 milhões de votos. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
O resultado presidencial também representa uma mudança em relação ao primeiro turno de 2022. Naquela eleição, Lula havia alcançado 48,43% dos votos válidos. Em 2026, o presidente recebeu cerca de 3,4 milhões de votos a menos do que quatro anos atrás.
PL transforma votação presidencial em avanço no Senado
O desempenho de Flávio foi acompanhado por um resultado expressivo do PL na eleição para o Senado.
A legenda elegeu 19 novos senadores nas eleições deste domingo. Somados aos nove parlamentares que já possuem mandato até 2031, o partido deverá chegar a 28 senadores na composição que começa em 2027, tornando-se a maior bancada da Casa.
O crescimento altera de maneira importante a distribuição de forças no Senado. O PT, embora tenha eleito novos parlamentares, deverá permanecer com uma bancada de nove senadores, enquanto o PL passa a ocupar uma posição de liderança numérica.
O resultado também reduziu o espaço de partidos tradicionalmente associados ao chamado Centrão. O movimento indica que a eleição de 2026 não produziu apenas uma disputa presidencial acirrada, mas também uma alteração relevante na composição do Congresso Nacional.
O avanço não se limita ao PL
A nova composição do Senado mostra que o crescimento da direita não ficou restrito ao partido de Flávio Bolsonaro.
O Novo, por exemplo, terá três senadores. Entre os eleitos estão Marcel van Hattem e Deltan Dallagnol, que haviam manifestado apoio a Flávio ainda durante o primeiro turno.
Com isso, PL e Novo somarão uma parcela expressiva das 81 cadeiras do Senado. Além deles, parlamentares de outras legendas identificados politicamente com o campo bolsonarista também estarão na Casa a partir de 2027.
O resultado abre espaço para uma nova configuração das alianças e negociações no Senado, especialmente em temas que dependem de maioria parlamentar.
Governos estaduais também mudaram o mapa político
O avanço do PL foi igualmente expressivo nas eleições para governador.
A legenda elegeu cinco governadores no primeiro turno: Sergio Moro, no Paraná; Marcos Rogério, em Rondônia; Arthur Henrique, em Roraima; Luciano Zucco, no Rio Grande do Sul; e Jorginho Mello, em Santa Catarina, que foi reeleito.
Em 2022, o PL havia elegido apenas dois governadores. O resultado de 2026 representa, portanto, uma ampliação da presença do partido nos Executivos estaduais.
O mapa, entretanto, não é exclusivamente definido pela disputa entre PL e PT. Partidos como PSD, Republicanos, PP, MDB e Podemos também conquistaram governos estaduais, demonstrando que as alianças locais continuam desempenhando papel importante nas eleições.
Segundo turno em estados importantes
O PL ainda poderá ampliar sua presença nos governos estaduais.
No Rio de Janeiro, Douglas Ruas terminou o primeiro turno com 49,3% dos votos válidos e disputará o segundo turno contra Eduardo Paes (PSD). No Amazonas, Professora Maria do Carmo também avançou para a segunda etapa.
A definição desses estados poderá ampliar ainda mais o número de governos comandados por integrantes ou aliados do PL.
Lula enfrenta um cenário diferente de 2022
Para o PT, o resultado presidencial representa um cenário distinto daquele registrado no primeiro turno de 2022.
Naquela eleição, Lula terminou a primeira etapa à frente de Jair Bolsonaro. Em 2026, a situação se inverteu: o candidato do PL terminou o primeiro turno na liderança, com vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
A comparação histórica também chama atenção para o percentual obtido pelo presidente. Em 2002, quando foi eleito pela primeira vez, Lula teve 46,4% dos votos válidos no primeiro turno. Em 2006, na tentativa de reeleição, chegou a 48,6%. Em 2022, alcançou 48,43%. Em 2026, ficou em 45,16%.
O percentual de 2026 é, portanto, inferior ao registrado nas três últimas eleições presidenciais em que Lula participou do primeiro turno. A comparação com 1998, quando obteve 31,7%, mostra, contudo, que não se trata do menor percentual de sua trajetória eleitoral: aquele continua sendo o resultado mais baixo.
Um novo desenho para 2027
Mais do que a diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula na corrida presidencial, a eleição de 2026 produziu um novo desenho institucional.
O PL deverá assumir a maior bancada do Senado, ampliou sua presença na Câmara dos Deputados e elegeu cinco governadores no primeiro turno.
Ao mesmo tempo, o PT preservou presença relevante no Congresso e manteve governos estaduais importantes, especialmente no Nordeste. A eleição também mostrou a força de partidos que não se alinharam integralmente a nenhum dos dois polos nacionais.
O segundo turno presidencial, portanto, ocorrerá em um ambiente político diferente daquele de 2022. Independentemente do resultado de 25 de outubro, a composição eleita para o Congresso e os governos estaduais já aponta para uma reconfiguração das forças políticas brasileiras a partir de 2027.
A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro passa agora a ser apenas uma parte de um cenário mais amplo, no qual o equilíbrio entre Presidência da República, Congresso Nacional e governos estaduais será determinante para a formação das alianças e para a governabilidade nos próximos quatro anos.



