
Por Cleber Sabino (clebersabino@vilanoticias.com)
Em visita a Vila Pavão, no início desta semana o geógrafo alemão Florian Alexander Geipel se surpreendeu com a herança cultural deixado pelos pomeranos.
Florian nasceu em Bad Kissingen, na Bavária e mudou-se para o Brasil em 2006. Casado com a jornalista capixaba de Mantenópolis, Gina Carla Rangel, vivem atualmente com a filha Taina Mariana Rangel Geipel no estado de Tocantins, a sudeste da Região Norte do país.
O anfitrião da visita foi o sociólogo e pesquisador da cultura pomerana Jorge Kuster Jacob que presenteou o visitante com exemplares de seu trabalho e o acompanhou a pontos turísticos da cidade, como a Igrejona, Museu Pomerano, Casa do Brote, fachada da secretaria municipal de Cultura, entre outros.
“Como sou geógrafo e estudei muito sobre o Brasil, sabia mais sobre a imigração dos alemães e europeus centrais no sul do país. Agora em visita à família da minha esposa ao Espirito Santos tive a oportunidade de conhecer melhor colônias alemãs no estado, ao qual já tinha ouvido falar, e pesquisando melhor descobri que se trata de um polo pomerano em Domingos Martins e Santa Maria de Jetibá. Ai tracei um roteiro de viagem que incluiu esses municípios da região serrana. Infelizmente a ameaça do coronavírus e as chuvas dificultaram o contato. Eu queria passar nessas regiões para conversar com as pessoas e escutar os seus sotaques para tentar saber de que região da Alemanha vieram, já que meus avós e bisavós são do norte da Alemã, próxima à região da antiga Pomerania. Felizmente conseguimos traçar um caminho para o nosso destino na praia e chegamos a Vila Pavão onde fomos muito bem recebidos, e tivemos oportunidade de fazer contatos com os descendentes de pomeranos da cidade”, contou o turista alemão.
O que mais chamou a sua atenção foi ver crianças em Vila Pavão falando o pomerano. “O que vocês estão tentando preservar é muito interessante. Ver crianças na cidade que falam a língua pomerana, é uma forma da tradição não se perder, uma vez que ninguém consegue aprender o dialeto pomerano como uma segunda língua, porque ele não é escrito”, completou.
Segundo Florian, o sotaque do povo do norte da Alemanha é mais ligado às línguas saxônias, inglesa e dos países nórdicos, e se assemelha ao dialeto pomerano falado em Vila Pavão. “Lá, isso está se perdendo, pois, as crianças que são o futuro, só falam o alto alemão”, afirmou.




