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Café registra forte valorização no mercado e preços da saca atingem novos patamares

Café arábica acumula alta superior a 30% em um mês no mercado interno, enquanto o conilon avança 19,3%

por Cleber Luiz Sabino
07/07/2026

O mercado do café vive semanas de intensa valorização, tanto para a variedade arábica quanto para o conilon (robusta). A combinação de incertezas sobre a safra brasileira, atrasos na colheita e preocupações climáticas tem impulsionado as cotações nas bolsas internacionais e elevado significativamente os preços pagos aos produtores no mercado interno.

Na segunda-feira (6), os contratos futuros do café arábica com vencimento em setembro, negociados na Bolsa de Nova York, avançaram cerca de 16,1%, encerrando o dia cotados a US$ 3,04 por libra-peso.

Valor da saca dispara no mercado brasileiro

No Brasil, os preços da saca de 60 quilos também registraram forte alta nas últimas semanas.

O café arábica tipo 6, bebida dura bica corrida, passou de R$ 1.463,00, em 5 de junho, para R$ 1.928,00 nesta segunda-feira (6), acumulando valorização de 31,7% no período.

Já o café conilon tipo 7 subiu de R$ 880,00 para R$ 1.050,00 por saca, um aumento de 19,3%.

Nesta terça-feira (7), o preço de referência da saca de 60 kg do café arábica abriu cotado a R$ 1.787,48, enquanto o café conilon (robusta) foi negociado a R$ 1.117,33.

Os valores variam de acordo com as regiões produtoras e as praças físicas de comercialização do país.

Preços por região

Café arábica (Tipo 6 – Bebida Dura)

As principais regiões produtoras registram os seguintes preços:

  • Machado (MG): R$ 2.020,00
  • Patrocínio (MG): R$ 2.000,00
  • Varginha (MG): R$ 1.970,00
  • Campos Gerais (MG): R$ 1.926,00
  • Franca (SP): R$ 1.900,00
  • Oeste da Bahia: R$ 1.830,00

Café conilon (Tipo 7 e Tipo 8)

No mercado físico, o conilon segue sustentando preços acima de R$ 1.000,00 por saca:

  • Espírito Santo (média Cepea): R$ 1.117,33
  • Vitória (CCCV – Tipo 7/8): R$ 1.065,00
  • São Gabriel da Palha (Tipo 7): R$ 1.050,00
  • São Gabriel da Palha (Tipo 8): R$ 1.040,00

O que explica a alta?

A valorização do café é resultado de um conjunto de fatores que vêm preocupando o mercado internacional.

Entre eles estão os temores quanto aos efeitos do El Niño sobre a produção agrícola mundial, cenário que também tem impulsionado os preços de outras commodities, como soja, milho e trigo.

No caso do café, o principal fator é a crescente incerteza em relação ao tamanho da safra brasileira, maior produtora mundial da commodity. A expectativa inicial era de uma colheita recorde, mas esse cenário começou a mudar após o início da colheita do conilon, em meados de abril.

Produtores relatam atrasos na colheita, maturação irregular das lavouras e produtividade abaixo do esperado em algumas regiões. Além disso, rumores sobre a possibilidade de frentes frias no Brasil estimularam compras por parte de investidores internacionais, elevando ainda mais as cotações nas bolsas de Nova York e Londres.

Após os recordes históricos registrados nas bolsas internacionais, o mercado também passou por um movimento de correção técnica, típico após fortes altas, mas os preços permanecem em patamares elevados.

Mercado se reposiciona diante das incertezas

Para o sócio da Golden Investimentos e um dos maiores operadores de contratos de café conilon do país, Thomas Giuberti, o cenário mudou rapidamente nas últimas semanas.

“A safra do conilon, que começa antes da do arábica, atrasou e está vindo com uma certa quebra. A expectativa do mercado era de que a produção do arábica fosse muito forte e ajudasse a conter os preços do conilon. No entanto, a colheita do arábica também está atrasando e aumentando o receio de uma quebra de safra. Começamos o ano com estoques elevados e expectativa de uma grande produção, mas agora o mercado vê atrasos e perdas na colheita. Diante desse cenário, os preços estão sendo reposicionados”, explicou.

Segundo especialistas, enquanto persistirem as incertezas sobre o tamanho efetivo da safra brasileira e as condições climáticas durante a colheita, o mercado deverá permanecer bastante volátil, com possibilidade de novas oscilações nos preços nas próximas semanas.


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