O mercado do café vive semanas de intensa valorização, tanto para a variedade arábica quanto para o conilon (robusta). A combinação de incertezas sobre a safra brasileira, atrasos na colheita e preocupações climáticas tem impulsionado as cotações nas bolsas internacionais e elevado significativamente os preços pagos aos produtores no mercado interno.
Na segunda-feira (6), os contratos futuros do café arábica com vencimento em setembro, negociados na Bolsa de Nova York, avançaram cerca de 16,1%, encerrando o dia cotados a US$ 3,04 por libra-peso.
Valor da saca dispara no mercado brasileiro
No Brasil, os preços da saca de 60 quilos também registraram forte alta nas últimas semanas.
O café arábica tipo 6, bebida dura bica corrida, passou de R$ 1.463,00, em 5 de junho, para R$ 1.928,00 nesta segunda-feira (6), acumulando valorização de 31,7% no período.
Já o café conilon tipo 7 subiu de R$ 880,00 para R$ 1.050,00 por saca, um aumento de 19,3%.
Nesta terça-feira (7), o preço de referência da saca de 60 kg do café arábica abriu cotado a R$ 1.787,48, enquanto o café conilon (robusta) foi negociado a R$ 1.117,33.
Os valores variam de acordo com as regiões produtoras e as praças físicas de comercialização do país.
Preços por região
Café arábica (Tipo 6 – Bebida Dura)
As principais regiões produtoras registram os seguintes preços:
- Machado (MG): R$ 2.020,00
- Patrocínio (MG): R$ 2.000,00
- Varginha (MG): R$ 1.970,00
- Campos Gerais (MG): R$ 1.926,00
- Franca (SP): R$ 1.900,00
- Oeste da Bahia: R$ 1.830,00
Café conilon (Tipo 7 e Tipo 8)
No mercado físico, o conilon segue sustentando preços acima de R$ 1.000,00 por saca:
- Espírito Santo (média Cepea): R$ 1.117,33
- Vitória (CCCV – Tipo 7/8): R$ 1.065,00
- São Gabriel da Palha (Tipo 7): R$ 1.050,00
- São Gabriel da Palha (Tipo 8): R$ 1.040,00
O que explica a alta?
A valorização do café é resultado de um conjunto de fatores que vêm preocupando o mercado internacional.
Entre eles estão os temores quanto aos efeitos do El Niño sobre a produção agrícola mundial, cenário que também tem impulsionado os preços de outras commodities, como soja, milho e trigo.
No caso do café, o principal fator é a crescente incerteza em relação ao tamanho da safra brasileira, maior produtora mundial da commodity. A expectativa inicial era de uma colheita recorde, mas esse cenário começou a mudar após o início da colheita do conilon, em meados de abril.
Produtores relatam atrasos na colheita, maturação irregular das lavouras e produtividade abaixo do esperado em algumas regiões. Além disso, rumores sobre a possibilidade de frentes frias no Brasil estimularam compras por parte de investidores internacionais, elevando ainda mais as cotações nas bolsas de Nova York e Londres.
Após os recordes históricos registrados nas bolsas internacionais, o mercado também passou por um movimento de correção técnica, típico após fortes altas, mas os preços permanecem em patamares elevados.
Mercado se reposiciona diante das incertezas
Para o sócio da Golden Investimentos e um dos maiores operadores de contratos de café conilon do país, Thomas Giuberti, o cenário mudou rapidamente nas últimas semanas.
“A safra do conilon, que começa antes da do arábica, atrasou e está vindo com uma certa quebra. A expectativa do mercado era de que a produção do arábica fosse muito forte e ajudasse a conter os preços do conilon. No entanto, a colheita do arábica também está atrasando e aumentando o receio de uma quebra de safra. Começamos o ano com estoques elevados e expectativa de uma grande produção, mas agora o mercado vê atrasos e perdas na colheita. Diante desse cenário, os preços estão sendo reposicionados”, explicou.
Segundo especialistas, enquanto persistirem as incertezas sobre o tamanho efetivo da safra brasileira e as condições climáticas durante a colheita, o mercado deverá permanecer bastante volátil, com possibilidade de novas oscilações nos preços nas próximas semanas.



