A primavera de 2026 começou nesta terça-feira (22) com previsão de temperaturas acima da média e distribuição irregular das chuvas no Espírito Santo. De acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a estação também apresenta elevada probabilidade de ocorrência de um episódio de El Niño de forte intensidade.
O cenário climático indica possibilidade de períodos de chuva abaixo do esperado em algumas regiões do Estado. A estimativa aponta para um déficit de até 50 milímetros ao longo do trimestre, principalmente no Norte, Noroeste e em áreas do interior capixaba.
Mesmo que o volume total de chuva registrado durante a primavera fique próximo da média histórica, o Incaper alerta que isso não significa que as precipitações serão bem distribuídas ao longo dos meses.
A tendência é de alternância entre períodos mais prolongados de tempo seco e episódios de chuva intensa, provocados pela passagem de frentes frias, linhas de instabilidade e pela atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).
Na prática, o Estado pode enfrentar intervalos de estiagem intercalados com pancadas de chuva de forte intensidade. Dessa forma, um acumulado trimestral próximo da média não garante uma distribuição uniforme das precipitações nem uma recuperação equivalente dos rios, reservatórios e da umidade dos solos.
Norte e Noroeste podem registrar menos chuva
As regiões Norte e Noroeste apresentam os sinais mais consistentes de redução das chuvas durante a primavera. A ocorrência de períodos mais longos de tempo seco pode dificultar a recuperação da umidade do solo e aumentar a necessidade de irrigação, especialmente nas atividades agrícolas.
No Sul do Estado, na Região Serrana e no Caparaó, as condições podem ser relativamente mais favoráveis, principalmente se as chuvas ocorrerem de forma mais regular.
Por outro lado, a concentração de grandes volumes de chuva em curtos períodos também pode provocar impactos. Entre os possíveis problemas estão erosão, perda de solo e redução das janelas adequadas para o manejo das lavouras.
O calor também deve ser uma das principais características da primavera capixaba. A previsão indica temperaturas acima da média durante boa parte da estação.
O aumento das temperaturas contribui para uma maior evapotranspiração, processo pelo qual a água é perdida do solo e das plantas para a atmosfera. Com isso, lavouras e pastagens podem demandar maior disponibilidade de água.
Nas áreas urbanas, o calor mais intenso também pode elevar o desconforto térmico.
Apesar da tendência de temperaturas elevadas, períodos de frio não estão descartados. A passagem de frentes frias pode provocar quedas temporárias nas temperaturas, principalmente na Região Serrana.
A combinação entre temperaturas elevadas e chuva irregular pode trazer impactos para diferentes atividades agrícolas desenvolvidas no Espírito Santo.
Entre os possíveis efeitos estão o atraso no estabelecimento das lavouras, maior necessidade de irrigação e risco de falhas na germinação.
Culturas perenes, como café, banana e mandioca, também podem apresentar prejuízos no desenvolvimento durante períodos prolongados de deficiência hídrica.
Para os produtores, o cenário reforça a importância do acompanhamento das condições meteorológicas, do planejamento da irrigação e da adoção de medidas de conservação da umidade do solo.
Primavera pode alternar estiagem e temporais
A previsão climática sazonal não permite determinar com precisão quando ou onde ocorrerão eventos extremos. O principal cenário indicado para o Espírito Santo é de alternância entre períodos secos e episódios de chuva intensa.
Por isso, a previsão de redução das chuvas em determinadas regiões não significa que o Estado terá uma primavera sem temporais.
A distribuição das precipitações ao longo dos próximos meses deve ser um dos principais pontos de atenção, especialmente para a agricultura, os recursos hídricos e as áreas mais suscetíveis a períodos de estiagem ou a chuvas intensas.



