
O empresário Sérgio Bassini Masioli vai a júri popular pela morte de quatro pessoas da mesma família após um acidente na BR-101, em Jaguaré (ES), no fim de 2025. O juiz Ronaldo Domingues de Almeida manteve a prisão dele e decidiu que o caso deve ser julgado pelo Tribunal do Júri — etapa que confirma a presença de indícios para o julgamento, sem significar uma condenação antecipada.
O acidente aconteceu na madrugada da véspera de Natal, na altura do km 95, no trecho de Água Limpa. Masioli bateu na traseira do Fiat Palio onde estavam o advogado Denis Carlos Rolim, de 43 anos, a esposa Valdenice, de 39, e as filhas do casal, Débora e Sara, de 10 e 7 anos. Os quatro morreram no local. Outras três pessoas que estavam em veículos atingidos ficaram feridas.
De acordo com o Ministério Público, o empresário dirigia bêbado e correndo muito. A perícia da PRF indicou que a caminhonete dele estava a 143 km/h em um trecho onde o limite era de 60 km/h. Por isso, a acusação defende dolo eventual — quando a pessoa assume o risco de matar. O júri também vai avaliar crimes conexos, como lesão corporal dos feridos, omissão de socorro, fuga do local e embriaguez ao volante.

A defesa de Masioli tentou mudar a acusação para homicídio culposo (sem intenção), questionou provas digitais e pediu novas perícias, mas o juiz negou os pedidos. Para o magistrado, laudos e depoimentos já trazem elementos suficientes para levar o caso aos jurados, inclusive com a qualificadora de recurso que dificultou a defesa das vítimas, já que a batida foi na traseira.
A prisão preventiva foi mantida porque o juiz entendeu que não há motivos para soltar o empresário agora. As partes ainda podem recorrer da decisão. Se ela for mantida, o tribunal marca a data do julgamento.
Representando a família das vítimas, o advogado Fábio Marçal disse que a decisão foi recebida com alívio e expectativa de que o júri aconteça logo para dar uma resposta à família e à sociedade. A reportagem tentou contato com a defesa de Sérgio Masioli, mas não obteve retorno.


