Vila Notícias
Na primeira sessão ordinária da Assembleia Legislativa no ano, o governador Paulo Hartung (PMDB) deu sinais de que a relação com os novos deputados se assemelhará à do passado: com muitos vetos e pouco espaço para “legislar”. Nesta quarta-feira (4), o peemedebista comunicou o veto a 12 projetos aprovados na legislatura anterior. Hartung também pediu a devolução de 33 projetos de lei enviados pelo antecessor, o ex-governador Renato Casagrande (PSB), entre elas, propostas de modificação em planos de carreira do funcionalismo e a reestruturação de órgãos públicos.
As mensagens de veto e o pedido de devolução das mensagens – que pode ser lido como retirada dos projetos – foram lidas durante o expediente da sessão desta quarta. A partir de agora, a Comissão de Justiça vai analisar as justificativas de Hartung para barrar as propostas e, em seguida, os vetos serão apreciados pelo plenário. A tendência é de que os vetos sejam mantidos pelo plenário, a exemplo do que ocorreu nas últimas legislaturas.
Chama atenção que os vetos atingiram desde matérias comuns, como a indicação de entidades sem fins lucrativos como de utilidade pública, possibilitando o recebimento de subvenções sociais, até “projetos originais” dos parlamentares, como a reserva de vagas para gestantes e idosos em estacionamentos, obrigatoriedade da comunicação por hospitais dos casos com indícios de maus tratos a crianças e a instituição de um feriado estadual bancário. Todas essas matérias, segundo Hartung, apresentam vício de iniciativa – quando os deputados invadem a atribuição de outros órgãos ao legislar.
Em relação aos 33 projetos retirados de discussão, Hartung foi econômico nas justificativas apresentadas aos deputados. Segundo ele, as matérias serão analisadas detidamente pela nova administração sobre a conveniência dos projetos. No entanto, os meios políticos acreditam que muitas das propostas de Casagrande nunca retornaram ao Legislativo. A lista de propostas barradas incluiu projetos com modificações na estrutura da Junta Comercial, Suppin e na Secretaria de Governo, além de mudanças em funções e nas carreiras do Instituto de Defesa Agrária e Florestal (IDAF) e das Polícias Militar e Civil.
Mesmo com a nova inclinação pela questão ambiental, o novo governador retirou quatro projetos na área de discussão, entre eles, a abertura de um crédito especial de R$ 9 milhões aos municípios para a realização de obras de infraestrutura hídrica e recuperação de bacias hidrográficas em todo Estado. Além disso, Hartung pediu a devolução da proposta que criava o Fundo de Sustentabilidade Econômica do Estado e mudanças na regulamentação do regime jurídico das terras devolutas.
Também foram retiradas as propostas de doações de áreas na Rodovia do Contorno, na Serra, e para construção da nova sede da escola Arthur da Costa e Silva, em Vitória. O projeto que reconhecia a responsabilidade do Estado às vítimas de perseguições políticas que sofreram danos físicos, psicológicos, morais e materiais também foi sacado pelo peemedebista. Hartung também pediu a devolução da proposta de criação da Câmara de Juventude em Redes no Conselho Estadual de Cultura (CEC).
Fonte: Século Diário


