
O trecho reto da BR-259, no distrito de Itapina, próximo ao campus do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), amanheceu diferente neste domingo (12). O asfalto, que tantos alunos cruzam diariamente em busca de estudo e trabalho, foi palco de um silêncio ensurdecedor por volta das 4h. Foi ali que duas motos bateram de frente, transformando uma madrugada comum em tragédia.
O saldo foi um jovem morto e dois feridos graves. Mas, por trás dos números, há histórias interrompidas, famílias em choque e uma comunidade que se pergunta: como evitar que a próxima vítima seja alguém que amamos?
A vítima fatal foi identificada como Natã Felipe Domingos de Souza, de apenas 19 anos. Ele conduzia uma Honda Bros e morreu ainda no local. A Polícia Científica encaminhou o corpo à Seção Regional de Medicina Legal (SML) de Colatina para necropsia. Enquanto isso, amigos e familiares já começavam a ocupar as redes sociais com mensagens de despedida — muitas delas escritas em tom de incredulidade.
“Foi num piscar de olhos. A gente nunca espera que seja com alguém tão novo, tão cheio de chão pela frente”, escreveu um amigo, sem conter a dor.
Feridos graves: o piloto da Honda CG e a carona de 19 anos
Na outra moto, uma Honda CG, estavam outros dois jovens: o piloto, de 21 anos, e uma passageira de 19. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) ainda não confirmava, até o fechamento desta edição, qual dos dois conduzia a garupa. O que se sabe é que ambos foram socorridos em estado grave.
O piloto foi atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), enquanto a jovem foi levada por uma ambulância do Corpo de Bombeiros. Os dois deram entrada no Hospital Estadual Sílvio Avidos, em Colatina, onde seguem internados.
Dinâmica do acidente: uma reta, duas direções, uma dúvida
Curiosamente, o acidente aconteceu em um trecho reto da rodovia — geralmente considerado menos perigoso que curvas acentuadas. No entanto, a colisão foi frontal. A PRF não divulgou oficialmente a dinâmica, mas já trabalha com a hipótese mais comum nesses casos: um dos condutores pode ter invadido a contramão.
A falta de iluminação no horário — 4h da madrugada — e a possível fadiga ou distração também não são descartadas por especialistas ouvidos informalmente. Mas, por enquanto, a PRF mantém cautela e aguarda laudos periciais.
Interdição de mais de duas horas: o reflexo no trânsito
O impacto foi tão severo que a pista precisou ser totalmente interditada para socorro e remoção dos veículos. A liberação só aconteceu às 7h40 — mais de três horas depois do acidente. Quem precisava passar pelo trecho no início da manhã encontrou filas e desvio, mas também encontrou, mesmo sem querer, o luto estampado no asfalto.


