
Uma mulher de 59 anos foi encontrada morta, escondida dentro de uma geladeira, em uma residência no Centro de Montanha, no noroeste do Espírito Santo. O crime, descoberto na noite de sexta-feira (21), reacende o debate sobre a violência que mulheres seguem sofrendo dentro de suas próprias casas, muitas vezes nas mãos de parceiros.
O corpo foi localizado pelo locatário do imóvel, que desconfiou do sumiço do casal e arrombou a porta da residência. A vítima estava desaparecida havia cerca de uma semana; seu companheiro, Silas Santos Fontoura, de 40 anos, hoje apontado como principal suspeito do crime, não era visto desde a terça-feira anterior (18).
A Polícia Científica (PCIES) constatou diversas perfurações pelo corpo da mulher, indício de violência extrema. Até o momento, as circunstâncias que levaram ao crime não foram detalhadas publicamente.
Após a descoberta do corpo, equipes da Polícia Civil iniciaram buscas por Silas. Os investigadores receberam a informação de que ele havia conseguido trabalho na região de São Mateus.
Em ação conjunta das Delegacias de Polícia de Jaguaré e Montanha, o homem foi localizado na terça-feira (25), em um alojamento onde estavam outros trabalhadores contratados para a colheita. Segundo a polícia, ele tentou resistir à abordagem e houve luta corporal antes de ser algemado.
Durante o deslocamento, o suspeito confessou aos policiais que havia matado a mulher, mas não explicou como cometeu o crime nem a motivação.
Suspeito tinha histórico com a Justiça
Ele também era procurado pela Justiça da Bahia por um homicídio cometido em 2025. De acordo com a Polícia Civil, o mandado de prisão preventiva contra ele estava relacionado a esse crime.
Chama atenção o fato de que ele já respondia a um mandado de prisão preventiva em aberto por homicídio, expedido pela Justiça da Bahia, um dado que levanta questionamentos sobre falhas no monitoramento de suspeitos com histórico de violência que circulam entre estados.
Casos como este expõem um padrão recorrente: mulheres mortas por parceiros ou ex-parceiros, muitas vezes após períodos de desaparecimento ou isolamento, enquanto o sistema de justiça e segurança pública falha em antecipar o risco — mesmo quando o agressor já tem passagem por crimes graves.
Agora, Silas permanece preso e o feminicídio continua sendo investigado pela Polícia Civil.
Detalhes
A investigação aponta que o suspeito teria colocado o corpo dentro da geladeira e retirado as gavetas para acomodá-lo. A intenção, segundo os policiais, seria preservar o corpo por mais tempo e atrasar a descoberta do crime enquanto ele fugia.
A vítima foi identificada com a ajuda de uma fotografia encontrada na residência. A filha contou à polícia que havia conversado com a mãe no domingo pela manhã, mas não conseguiu mais contato a partir da segunda-feira.
O caso deve ser formalmente classificado após a conclusão das investigações, o que definirá se o crime será tratado como feminicídio, categoria que leva em conta a motivação de gênero na morte da vítima.


