O que começou como uma tarde comum de trabalho em Governador Lindenberg, no Noroeste do Espírito Santo, transformou-se em um pesadelo para a família de um menino de 12 anos. Na última segunda-feira (27), o garoto foi vítima de um disparo acidental de arma de pressão, que o atingiu na boca.
De acordo com informações da Polícia Militar, a corporação foi acionada para ir ao hospital da cidade, onde dera entrada uma suposta vítima de disparo. Ao chegarem, os médicos confirmaram a gravidade da situação: o paciente era uma criança, atingida por um chumbinho disparado por uma espingarda de pressão.
O menino contou aos policiais que ele e um amigo de 14 anos estavam ajudando na limpeza de uma residência quando encontraram a arma guardada dentro de um armário. Ao manusear o objeto, o amigo acabou efetuando, sem querer, o disparo que o feriu.
O dono da casa explicou que mantinha a espingarda sobre o guarda-roupa para controle de roedores. Ele próprio prestou os primeiros socorros e levou a criança ao pronto-socorro. Tanto o proprietário do imóvel, de 55 anos, quanto o adolescente de 14 foram levados à delegacia para prestar esclarecimentos.
Enquanto isso, a mãe do menino, Daiane Brau, vivia momentos de desespero. Ela estava na casa de um conhecido, onde costuma ajudar em serviços, quando recebeu a notícia. O filho precisou ser atendido inicialmente em Governador Lindenberg e, em seguida, transferido com urgência para Colatina. Lá, passou por uma cirurgia delicada no pescoço para conseguir respirar, já que o projétil havia se alojado na região da boca.
Segundo Daiane, o estado de saúde do garoto ainda é delicado, mas ele já está fora de perigo. Ele deverá ser transferido para Vitória, onde passará por novas cirurgias na boca para a retirada do chumbinho. A mãe revelou que, neste momento, ainda não é possível entender todos os detalhes do acidente. “Só depois que ele se recuperar e puder conversar é que vamos saber exatamente o que aconteceu”, desabafou.
Do ponto de vista legal, a Polícia Civil informou que o adolescente de 14 anos foi conduzido à Delegacia Regional de Colatina, onde assinou um Boletim de Ocorrência Circunstanciado (BOC) por ato infracional análogo ao crime de lesão corporal culposa — ou seja, sem a intenção de ferir. Após um familiar assumir o compromisso de levá-lo ao Ministério Público quando convocado, o jovem foi liberado e reintegrado à família. O homem de 55 anos também foi ouvido e liberado.
O caso acende um alerta para a necessidade de cuidado redobrado com armas de pressão, muitas vezes tratadas como brinquedos, mas que podem causar ferimentos graves — especialmente quando ficam ao alcance de crianças e adolescentes.



